terça-feira, 24 de novembro de 2009

Relação entre as musicas Televisão (Titãs) e Televisão (Face da morte)

As duas musicas tem o mesmo nome, porém são de grupos musicais diferentes e contém letras e abordagens diferentes, apesar de falarem de um assunto em comum: A influência degenerativa da televisão na vida das pessoas.
O grupo Titãs, em sua letra Televisão, mostra de forma clara,crítica e objetiva o poder de alienação das mentes exercido pelo meio de comunicação de massa mais popular da América Latina (televisão), justamente o título da canção.Narra de forma sucinta á dominação que a televisão exerce sobra a vida, as atividades e consciência geral das pessoas que a assistem sem que tenham senso crítico, discernimento dos fatos.
Já na letra de rap do grupo Face da morte, a crítica a televisão é mais intensa, de forma que na musica é citado alguns programas televisivos brasileiros mais populares e também responsáveis em certa parte pela alienação das mentes do povo.Na musica há um intertexto com a canção de Geraldo Vandré(Pra não dizer que não falei das flores),visto que a canção de Vandré foi composta na época da ditadura militar no Brasil(1964 a 1985).
O intertexto acontece pelo fato de que a musica de Vandré composta no período conhecido por "anos de chumbo", retrata em sua letra o contexto do regime militar no Brasil.A musica televisão, mais recente,não foi composta em época de regime ditatorial no plano político, mas em época de ditadura da própria comunicação no Brasil e também na América Latina, sendo que a televisão é um poderoso veículo de comunicação que age de forma autoritária, quase ditatorial para garantir os ideais, os valores e privilégios das elites que tem controle total da programação exibida pelas televisões.
Outros fatores relevantes são a diferença de tempo e contextos entre as duas musicas (Televisão), os segmentos da população em que cada uma é destinada, sendo o grupo Titãs mais destinado ás classes médias e urbana e o grupo Face da morte representante das classes excluídas socialmente falando.O interessante é que mesmo com tais diferenças, os dois grupos musicais perceberam com total nitidez o grave problema social brasileiro, que é a manipulação desenfreada da televisão nas mentes da população como forma de dominação ideológica.

Televisão - Face da morte

Televisão - Titãs

Os programas de auditório, suas máquinas dançantes e o culto ao corpo na contemporaneidade


O programa de auditório é um dos formatos de programas mais populares na televisão.

Consiste em uma plateia composta por convidados variados, em que essa plateia interage de uma forma ou de outra no decorrer do programa.

Em alguns programas (por exemplo, o Caldeirão do Hulk e o Domingão do Faustão), há uma série de meninas belas, saradas, animadas e sorridentes dançando e se insinuando durante a programação.

Alguém já parou pra pensar na repercussão que isso tem na mente dos telespectadores?

Uma coisa é a revista dedicada à moda, beleza e fitness mostrar esse estereótipo de beleza que caracteriza a contemporaneidade (há quem diga que revistas assim só servem pra minar a auto-estima das mulheres e incitá-las a consumir cada vez mais, crítica da qual compartilho hoje e sempre). Por mais que as revistas e periódicos destinados a esse fim influenciem na forma de pensar acerca do corpo, nada influencia mais do que os programas televisivos.

A televisão dá a sensação de diálogo com o telespectador, estreita laços, dá um tom de intimidade. Isso é percebido principalmente nos programas de auditório, visto que o fato de a plateia ser composta por pessoas “comuns” faz com que o telespectador se identifique com o que está sendo mostrado, mesmo que não condiga com a realidade em que vive.

Os programas de auditório reforçam o narcisismo presente na sociedade pós-moderna, posto que nunca se deu tanto valor na imagem do corpo como na atualidade.

A televisão se utiliza do que considera belo e da constante tentativa de supervalorização do corpo para irradiar na imaginação juvenil os anseios de consumo e perfeição exterior.

Como há uma interação entre o apresentador e a plateia, os programas de auditório em geral apresentam um estilo de programação dinâmico, cujo conteúdo explora diversas experiências lúdicas, de entretenimento, de lazer e esportivas com o intuito de capturar o interesse das novas gerações.

Quais as chances de uma mulher de beleza comum (entenda-se “beleza comum” como aquela que não é a gostosona do Faustão) se tornar parecida com a garota que posa para uma revista de moda ou mesmo com a própria gostosona do Faustão? As chances são poucas, visto que até a bonitona que posa pra revista não é tudo aquilo que você vê (Ahh, não sabia? O Photoshop sempre dá um jeitinho nas estrias, celulites e manchinhas das quais nenhuma mulher está isenta!). E quem disse (excetuando os programas que veiculam conteúdos de massa, que tem pouca ou nenhuma influência positiva no aspecto do culto ao corpo) que a mulher “beleza comum” deve tentar se enquadrar no padrão?

No final das contas, os programas de auditório que tem nas “máquinas dançantes” seu plano de fundo representam os aplausos dedicados à cultura do espetáculo, explorando o culto ao corpo de uma forma mercadológica e espetacularizada, imprimindo em quem está do outro lado da telinha os clichês e estereótipos que excitam a imaginação e a gana pelo consumo. Não se iluda, não adianta pensar que é diferente.